Novo golpe mira contas do Microsoft 365: Como reforçar a segurança e proteger sua empresa?

Novo golpe mira contas do Microsoft 365: Como reforçar a segurança e proteger sua empresa?

E-mails, arquivos, reuniões, documentos compartilhados e comunicações internas fazem do Microsoft 365 uma ferramenta essencial para milhares de empresas. Justamente por ocupar uma posição tão importante na rotina corporativa, contas profissionais também se tornam alvos interessantes para criminosos digitais.

Uma modalidade de golpe identificada recentemente no Brasil chama atenção porque muda uma dinâmica bastante conhecida. Em vez de simplesmente tentar descobrir a senha da vítima por meio de uma página falsa, os criminosos podem explorar um recurso legítimo de autenticação e tentar convencer o próprio usuário a autorizar um acesso.

Isso significa que a senha pode continuar protegida e, ainda assim, uma conta acabar comprometida caso o usuário seja induzido a concluir uma autorização que não deveria.

A descoberta não significa que o Microsoft 365 tenha se tornado inseguro. Pelo contrário: ela reforça algo que a segurança da informação vem demonstrando há anos. Quanto melhores ficam as barreiras tecnológicas, mais os criminosos procuram explorar o comportamento humano para tentar contorná-las.

A boa notícia é que existem medidas para reduzir significativamente esse risco.


Como esse novo tipo de golpe funciona?

O ataque utiliza uma técnica conhecida como device code phishing, ou phishing por código de dispositivo.

O recurso de código de dispositivo existe legitimamente para permitir autenticação em equipamentos que possuem limitações para realizar um login convencional. Em determinadas situações, um código é apresentado e o usuário utiliza outro dispositivo para concluir a autenticação.

O problema surge quando criminosos exploram esse processo.

A vítima pode receber um e-mail aparentemente relacionado a uma atividade profissional, como orçamento, documento compartilhado, solicitação comercial ou outro assunto capaz de despertar interesse. A partir dessa abordagem, ela é conduzida a um processo no qual recebe um código e é orientada a realizar uma autenticação.

Um dos fatores que torna esse golpe especialmente convincente é que parte do processo pode acontecer dentro de uma página legítima de autenticação da própria Microsoft.

É justamente aí que mora o perigo: reconhecer um endereço legítimo não significa que a solicitação que levou o usuário até ele também seja legítima.

Ao inserir um código recebido de uma origem fraudulenta e confirmar a autenticação, o colaborador pode acabar autorizando uma sessão iniciada pelo criminoso.



Então o problema não é uma falha do Microsoft 365?

Esse é um ponto importante.

O fluxo de código de dispositivo é um recurso legítimo criado para situações específicas. O ataque acontece quando criminosos utilizam engenharia social para convencer uma pessoa a participar de uma autenticação que ela não iniciou legitimamente.

Por isso, não se trata simplesmente de dizer que alguém “quebrou a senha” ou descobriu uma vulnerabilidade que tornou todas as contas do Microsoft 365 inseguras.

O ataque explora algo muito mais difícil de proteger exclusivamente com tecnologia: a confiança do usuário.

É a mesma lógica encontrada em diversos golpes modernos. Em vez de tentar arrombar uma porta altamente protegida, o criminoso procura convencer alguém autorizado a abrir essa porta por ele.


Se a senha não é necessariamente roubada, como proteger a empresa?

A evolução desse tipo de ataque mostra por que a segurança corporativa não pode depender de uma única barreira.

Senhas fortes continuam importantes. A autenticação multifator continua sendo fundamental. Mas empresas precisam combinar diferentes mecanismos de proteção para diminuir as possibilidades de comprometimento das contas.

Um dos primeiros passos é verificar se o fluxo de autenticação por código de dispositivo realmente precisa ser utilizado no ambiente da empresa. Quando ele não possui uma finalidade necessária, políticas de segurança podem restringir ou bloquear sua utilização.

Também é importante acompanhar os registros de acesso das contas corporativas. Tentativas provenientes de locais incomuns, dispositivos desconhecidos ou comportamentos fora do padrão podem indicar que algo precisa ser investigado.

Outras medidas importantes incluem:

  • manter a autenticação multifator configurada adequadamente;
  • controlar quais dispositivos podem acessar recursos corporativos;
  • revisar periodicamente usuários, permissões e acessos;
  • remover rapidamente contas e acessos de colaboradores desligados;
  • monitorar atividades suspeitas;
  • orientar funcionários sobre solicitações inesperadas de autenticação.

O objetivo não é criar obstáculos para quem trabalha, mas garantir que uma tentativa de golpe encontre várias barreiras antes de conseguir comprometer o ambiente.


MFA continua sendo importante, mas precisa fazer parte de uma estratégia maior

Diante de golpes que exploram processos de autenticação, algumas empresas podem chegar à conclusão equivocada de que a autenticação multifator perdeu sua utilidade.

Não perdeu.

A MFA continua sendo uma das principais medidas para reduzir o risco associado ao comprometimento de senhas. O que ataques como esse demonstram é que nenhuma ferramenta deve funcionar isoladamente.

Se um criminoso não consegue simplesmente roubar uma senha e entrar na conta, ele pode tentar convencer o próprio usuário a autorizar uma sessão. É por isso que tecnologia e conscientização precisam caminhar juntas.

O colaborador também precisa compreender que uma solicitação de autenticação inesperada merece atenção. Como por exemplo:

  • Se você não está tentando conectar um dispositivo, por que recebeu um código?
  • Se não iniciou determinado acesso, por que está sendo solicitado a confirmá-lo?
  • Se um e-mail pede que você realize uma autenticação incomum para visualizar um documento, existe realmente necessidade daquele procedimento?

Criar esse hábito de questionamento pode impedir que uma abordagem aparentemente legítima se transforme em um incidente de segurança.


O endereço é oficial? Isso sozinho já não basta

Esse novo cenário também derruba uma recomendação bastante conhecida: “verifique se o site é verdadeiro antes de digitar sua senha”.

Essa orientação continua válida, mas não é suficiente para todos os tipos de golpe.

Em determinadas etapas desse tipo de ataque, o usuário pode realmente chegar ao ambiente legítimo de autenticação. A fraude está na origem da solicitação e no código que ele foi convencido a utilizar.

Por isso, além de conferir o endereço, é necessário analisar o contexto.

O usuário iniciou aquele processo? Reconhece o dispositivo ou aplicativo que está tentando conectar? Esperava receber aquela solicitação? O procedimento faz sentido para a atividade que estava executando?

Segurança digital exige cada vez mais essa combinação entre tecnologia e atenção.


Segurança Microsoft 365 também passa pela configuração do ambiente

O Microsoft 365 oferece diferentes recursos que podem ajudar empresas a controlar como suas contas e informações são acessadas. Entretanto, possuir uma licença não significa automaticamente que todas as políticas estejam configuradas de acordo com a necessidade de cada organização.

Cada empresa possui uma realidade diferente.

Há organizações que utilizam apenas computadores corporativos, enquanto outras permitem notebooks pessoais. Algumas possuem equipes trabalhando exclusivamente no escritório; outras mantêm colaboradores em home office ou viajando. Existem ainda empresas que precisam de determinados métodos de autenticação que outras jamais utilizariam.

É por isso que segurança não deve ser tratada como uma configuração genérica.

Políticas de acesso precisam considerar a realidade do negócio, os dispositivos utilizados, o perfil dos usuários e o nível de sensibilidade das informações.



O colaborador continua sendo uma das principais linhas de defesa

Mesmo com ferramentas avançadas, usuários bem orientados continuam exercendo um papel fundamental na segurança das empresas.

Não se trata de transformar cada funcionário em especialista em cibersegurança. O objetivo é criar algumas regras simples que façam parte da rotina.

Solicitações inesperadas de códigos, aprovações de login que não foram iniciadas pelo próprio usuário, pedidos urgentes envolvendo credenciais e procedimentos diferentes do habitual devem ser encarados com cautela.

Na dúvida, o melhor caminho é interromper o processo e consultar o suporte de TI.

Alguns minutos de verificação são muito menos prejudiciais do que as horas ou dias necessários para responder a uma conta corporativa comprometida.


Segurança não significa ter medo da tecnologia, mas utilizá-la da forma correta

A descoberta de novas técnicas de ataque não significa que as empresas devam deixar de utilizar o Microsoft 365 ou outras ferramentas em nuvem. A evolução dos golpes faz parte de um cenário em que criminosos procuram constantemente novas maneiras de contornar as proteções existentes.

Da mesma forma, os mecanismos de defesa também evoluem.

O caminho mais seguro é combinar configurações adequadas, autenticação multifator, controle de acessos, monitoramento e usuários preparados para identificar situações fora do padrão.

A InformaTI Soluções em Tecnologia auxilia empresas na administração e no suporte de ambientes Microsoft 365, além de atuar na organização da infraestrutura e na adoção de boas práticas de segurança para o ambiente corporativo.

Se sua empresa utiliza Microsoft 365, este é um bom momento para revisar como contas, acessos e dispositivos estão sendo administrados, antes que uma tentativa de golpe encontre uma configuração ou comportamento que possa ser explorado.

Quer revisar a segurança do Microsoft 365 da sua empresa e entender quais medidas podem fortalecer a proteção das suas contas corporativas? Entre em contato com a InformaTI Soluções em Tecnologia e conte com nossa equipe para avaliar seu ambiente e orientar as melhorias necessárias.


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